A importância da contabilidade para as entidades esportivas

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As informações oriundas da contabilidade possuem um papel de suma importância no processo de tomada de decisões dos administradores


Almir Ferreira* e Rodrigo Ferreira**


Antes de qualquer consideração, vale dizer que as entidades esportivas fazem parte do Terceiro Setor, que ganhou notoriedade nas últimas décadas principalmente por meio das ONGs.


Tal setor se diferencia dos demais basicamente por duas características, como nos traz Hudson (2004):


1. Não distribui lucro (como as organizações do setor privado) 2. Não estão sob controle estatal (como as organizações do setor público)


Entretanto, ao contrário do que muitos pensam, isso não torna a contabilidade menos importante para essas entidades.


Com o profundo processo de transformação e crescimento da economia esportiva (entre 2000 e 2010, a média de crescimento do PIB do esporte no Brasil foi de 6,2{7a3a68e1616b7aaba0d480ce0a8cac54774e7fddc429e25618f6fd9a5a093145}1 ) nos últimos anos, cada vez se torna mais importante as informações acerca da gestão dos recursos financeiros de tais entidades para auxiliar no processo decisório dos gestores.


As entidades esportivas devem ser administradas como empresas, pois tal quais vendem produtos, prestam serviços, possuem clientes, fornecedores e tentam atingir um determinado público alvo.


Não possuir fins lucrativos, não significa que receitas e despesas devam se equiparar. O superávit financeiro é essencial para a sustentação, progressão, modernização e ampliação de qualquer entidade esportiva. Sendo que este superávit deve ser integralmente aplicado nas atividades da entidade.


Para fazer jus a isenção tributária, se faz necessário que as entidades esportivas mantenham escrituração contábil regular, de acordo com as normas do CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis).


O que significa, além de outras obrigações, ter escriturado e registrado de acordo com a legislação, por exemplo, os Livros Diário e Razão. Muitas entidades do Terceiro Setor mantém apenas a escrituração do Livro Caixa, o que é insuficiente no atendimento à legislação e não demonstra a transparência e credibilidade atualmente exigida pelos stakeholders.


Vale ressalvar que os administradores das entidades esportivas podem ser responsabilizados por obrigações assumidas e possíveis atos que comprometam o funcionamento das mesmas.


Com a forte penetração da Tecnologia da Informação no ambiente gerencial ocorrida nos últimos anos, a complexidade e o detalhamento das informações contábeis exigidas pelo Fisco aumentaram consideravelmente.


Mais do que isso, essas informações se tornaram cada vez mais imprescindíveis para que, com o máximo de eficiência, se atinja os objetivos traçados pelos gestores.


*Sócio-Contador da Artdata Contábil, Bacharel em Ciências Contábeis (UNIFAE), com mais de 20 anos de experiência no atendimento ao Terceiro Setor, Diretor da Associação Comercial e Industrial de Mogi Mirim (ACIMM), possui vários cursos nas áreas contábil, fiscal e tributária. [email protected]


**Sócio-Administrador da RM2 Sports, Coordenador Fiscal e Gerente de Marketing da Artdata Contábil, Especialista em Administração e Marketing do Esporte (ESPM), Bacharel em Educação Física (UNICAMP), Pós Graduando em Direito Desportivo (Instituto Iberoamericano de Derecho Deportivo), Graduando em Ciências Contábeis (Faculdade Santa Lúcia). [email protected] / [email protected]


[1] http://oglobo.globo.com/economia/pib-do-esporte-cresce-mais-do-que-do-pais-5028799


Bibliografia


HUDSON, M. Administrando organizações do Terceiro Setor: o desafio de administrar sem receitas. São Paulo. Morkron Books, 2004.


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