Acusado de matar conselheiro federal da OAB é preso no Pará

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Dezoito anos depois de ter sido apontado como o homem que matou a tiros o advogado e recém-eleito conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil pela Seccional de Roraima (OAB-RR) Paulo Coelho Pereira, em fevereiro de 1993, o pistoleiro José Ricardo Cardoso, apelidado de “Ouriçado”, que inclusive chegou a ser dado como morto, foi preso na cidade de Marabá (Pará). A prisão dele foi fruto de uma investigação exclusiva da Polícia Interestadual (Polinter) da Polícia Civil de Roraima, que já acontecia há pelo menos um ano. Ouriçado foi denunciado pelo Ministério Público Estadual pelo assassinato de Paulo Coelho e também pronunciado a Júri Popular. Agora, com sua prisão, tão logo chegue a Boa Vista, deverá ser levado a julgamento.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Roraima, Antonio Oneildo, também falou sobre a prisão de Ouriçado. Disse que, para a família do conselheiro assassinado, esse fato é uma demonstração de que a Justiça pode até demorar, mas um dia chega. Lembrou o fato de que naquela época surgiu a notícia de que Ouriçado fora morto, o que para ele foi apenas uma manobra das pessoas que estavam envolvidas na morte de Paulo Coelho, para evitar que ele fosse preso e a verdade viesse à tona. “Vamos acompanhar mais um capítulo desse caso e aguardar que o pistoleiro seja transferido para Roraima e enfim seja julgado, para concluir de uma vez por todas esse processo”, disse.

Paulo Coelho Pereira foi executado com vários tiros na porta da sua casa na rua Coronel Mota, no Centro, na noite do dia 20 de fevereiro de 1993. Conforme as investigações à época dos fatos, a motivação para o assassinato do advogado foi política. Paulo Coelho tinha acabado de ser eleito conselheiro federal da OAB-RR e em seu discurso, considerado inflamado, disse que daria prosseguimento a processos que estavam na Justiça, principalmente contra a nomeação de desembargadores para o Tribunal de Justiça de Roraima, especialmente contra o então desembargador Luiz Gonzaga Batista Rodrigues, que era conhecido como Gonzagão, já falecido.

Paulo Coelho foi então marcado para morrer e José Ricardo Cardoso, o Ouriçado, foi o pistoleiro contratado para matá-lo. Destaca a investigação que ele integrou a quadrilha comandada pelos irmãos “Batista”, Luiz Antonio Batista e Luiz Gonzaga Batista Júnior, filhos do desembargador Gonzagão, que, anos depois do crime, depois de inúmeras manobras, acabaram condenados em Júri Popular pela Justiça de Roraima, como mandantes da execução do conselheiro. Outros acusados de integrar a quadrilha para consumar o crime também foram levados a julgamento e uns foram inocentados e outros foram condenados.