Atores farão a pergunta em campanha da OAB pela abertura dos arquivos

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“Será que essa tortura nunca vai acabar?” é a pergunta que Sônia de Moraes Angel, interpretada pela atriz Fernanda Montenegro, fará na TV e em cinemas a partir de sexta-feira.

Sônia, economista e professora, foi torturada e assassinada durante o regime militar, e seu corpo nunca pôde ser velado pela família. Assim como Sônia, outros militantes mortos e desaparecidos serão revividos por nomes da dramaturgia em pequenos filmes, de 30 segundos, da “Campanha pela Memória e pela Verdade”, da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio (OAB-RJ).

A proposta é pressionar pela abertura dos arquivos da ditadura. Nos filmes, dirigidos por Chico Abreia, os atores se apresentam como desaparecidos políticos e lançam, ao final, a questão.

– A anistia não significa que os mortos não devam ser enterrados e que não devam ser esclarecidos os lugares onde esses corpos estão – disse Fernanda Montenegro ontem, depois da gravação.

Osmar Prado interpreta o comunista Maurício Grabois, desaparecido na Guerrilha do Araguaia.

– A democracia não está consolidada, porque existe uma ferida que não cicatriza – afirma Prado.

Participam ainda Eliane Giardini, como a professora Ana Rosa Kucinski; Mauro Mendonça, como o líder estudantil Fernando Santa Cruz; Glória Pires, como a professora Eleni Guariba; e José Mayer, como o comunista David Capistrano.

– A verdade deve prevalecer sempre.

Sou contra qualquer censura. E essas informações são fundamentais para os familiares.

Falta um pedaço da história dessas pessoas – ressalta Mayer.

A campanha será oficialmente lançada na sexta-feira, às 10h, em um ato na sede da OAB do Rio, no Centro. O presidente da entidade, Wadih Damous, diz querer o reconhecimento público de que a ditadura não é uma página virada da História: – Temos cidadãos brasileiros que desapareceram como se nunca tivessem existido.

Amanhã, o Supremo Tribunal Federal vai julgar ação proposta pela OAB sobre a amplitude da Lei de Anistia de 1979. A entidade sustenta que crimes de tortura cometidos no regime militar não teriam sido anistiados pela legislação, permitindo que ainda hoje os responsáveis pelas agressões sejam processados e punidos. A OAB defende que outros crimes cometidos por agentes do Estado também não sejam protegidos pela Anistia: homicídio, abuso de autoridade, desaparecimento forçado e atentado violento ao pudor. O relator do caso é o ministro Eros Grau. ( A matéria é de autoria da repórter Ludmilla de Lima e foi publicada na edição de hoje do jornal O Globo)