Atraso na reforma de aeroportos para Copa preocupa deputados

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A pouco menos de quatro anos do início da Copa do Mundo no Brasil, os atrasos nas obras de infraestrutura, principalmente na ampliação de aeroportos, preocupam os parlamentares. O presidente da subcomissão permanente que fiscaliza os recursos públicos federais destinados à Copa de 2014, deputado Silvio Torres (PSDB-SP), lembra que as previsões são de um aumento de 2,7 milhões no número de viajantes durante o Mundial de futebol. “Se acontecer essa previsão, vamos ter problemas com certeza”, sustenta.

Segundo a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), a demanda nos 16 aeroportos próximos às cidades-sede da Copa chegará a 26 milhões de passageiros.

Apesar desses cálculos, as obras em aeroportos sequer começaram ou estão paralisadas, caso de Guarulhos, em São Paulo, Vitória, no Espírito Santo, e Goiânia, em Goiás. Nesses locais, os trabalhos estão parados desde 2008. Os contratos para a realização de melhorias nesses aeroportos foram suspensos ou rescindidos, porque o Tribunal de Contas da União (TCUÓrgão auxiliar do Congresso Nacional que tem por atribuição o controle externo dos atos financeiros, orçamentários, contábeis, operacionais e patrimoniais dos Poderes da República. ) suspeita de superfaturamento da ordem de R$ 70 milhões em cada um deles.

No último dia 27, o tribunal determinou à Infraero que encaminhe, em 15 dias, um plano com providências para solucionar as irregularidades que ocasionaram a paralisação das obras.

Tempo curto
Silvio Torres acredita que, se a Infraero e o governo continuarem nesse ritmo na execução das obras, os trabalhos não serão concluídos. “Dificilmente conseguiremos recuperar esse tempo precioso que foi perdido”, afirma.

Na opinião do parlamentar, o que provavelmente vai acontecer é a celebração de contratos para compra de equipamentos provisórios para os terminais aeroportuários. Conforme Torres, “essa é uma possibilidade já bastante utilizada no País”.

O deputado também acredita que logo após as eleições devem ocorrer reuniões com os eleitos, a fim de elaborar “um cronograma real” para a melhoria da infraestrutura necessária à realização do mundial. “Se preciso, teremos de diminuir o número de sedes, redimensionar as obras para fazer uma Copa à altura das possibilidades financeiras e orçamentárias do País”.

Já para a relatora da subcomissão permanente, deputada Rebecca Garcia (PP-AM), ainda é possível concluir as obras no prazo. “Ainda há tempo, mas é preciso que as obras sejam iniciadas já, até dezembro deste ano”, sentencia.

Monitoramento
A deputada antecipa que em outubro, “quando a Câmara voltar efetivamente à atividade”, a subcomissão vai realizar novas viagens de acompanhamento às cidades-sede. Segundo ela, o objetivo principal é garantir a aplicação adequada dos recursos públicos. As seguintes cidades receberão jogos do Mundial de 2014: Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Brasília (DF), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Manaus (AM), Natal (RN), Recife (PE) e Salvador (BA).

Na opinião de Rebecca, o mais importante é o legado que vai ficar para o País. “Esses eventos são muito rápidos e têm de servir como pretexto para a realização de investimentos. Estamos passando por um momento de crescimento econômico e precisamos investir em infraestrutura”, defende.