Barbosa chefia Fazenda com Mantega em férias.

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Por Luciana Otoni | De Brasília

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, assume hoje o comando da área econômica até o dia 16, em substituição a Guido Mantega, que inicia período de férias por 15 dias. Mantega descansa no país em companhia da família. Nesse período, caberá a Barbosa monitorar a economia em uma conjuntura externa caracterizada pela crise global e em meio às primeiras divulgações de indicadores macroeconômicos consolidados de 2011.

Na sexta-feira, o IBGE apresentará o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do ano passado. Até novembro, o indicador oficial da variação de preços acumulava alta de 5,97{7a3a68e1616b7aaba0d480ce0a8cac54774e7fddc429e25618f6fd9a5a093145} e há grande expectativa entre os agentes econômicos em saber se o primeiro ano de mandato da presidente Dilma Rousseff foi marcado pelo estouro do teto da meta de 6,5{7a3a68e1616b7aaba0d480ce0a8cac54774e7fddc429e25618f6fd9a5a093145}.

Ao retornar das férias, Mantega se dedicará à adequação do Orçamento da União às diretrizes de 2012. Segundo a assessoria do Ministério da Fazenda, o ministro não comparecerá neste ano ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, cujos encontros estão agendados para o período entre 25 e 29 de janeiro.

A partir da segunda quinzena do mês, os ministérios da Fazenda e do Planejamento terão de formular a execução orçamentária e verificar o nível do contingenciamento de verbas que será feito, em decisão a ser acertada em fevereiro. Cálculos preliminares indicam que a restrição de recursos pode atingir R$ 60 bilhões.

No ano passado, o governo adotou um plano de corte de gastos de R$ 50 bilhões, na tentativa de conter a expansão da despesa pública e cumprir a meta de superávit primário. A meta de economia para o pagamento dos juros da dívida pública será cumprida, mas, em parte, devido ao sacrifício dos gastos com investimento. Neste ano, a área econômica pode optar por um viés menos contracionista, tentando manter o controle sobre os gastos com a máquina pública, mas flexibilizando as liberações para investimentos como forma de contribuir para a acelerar o ritmo de expansão da economia.

A dificuldade do ajuste está em ampliar os gastos com investimentos e cumprir a meta de superávit primário de 3,1{7a3a68e1616b7aaba0d480ce0a8cac54774e7fddc429e25618f6fd9a5a093145} do PIB, o correspondente a R$ 139,8 bilhões.

O ajuste das contas públicas terá de considerar, ainda, o objetivo de Mantega de reforçar a política fiscal de forma a assegurar espaço para que o Banco Central continue a flexibilizar a política monetária, reduzindo a taxa Selic.