Câmara aprova punição para assédio moral no trabalho

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Proposta prevê detenção de um a dois anos e multa para quem ofender reiteradamente a dignidade de empregado, causando-lhe dano ou sofrimento físico ou mental O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (12) o Projeto de Lei 4742/01, que tipifica, no Código Penal, o crime de assédio moral no ambiente de trabalho. A proposta será enviada ao Senado. Foi aprovada uma emenda da relatora, deputada Margarete Coelho (PP-PI). Segundo a emenda, o crime será caracterizado quando alguém ofender reiteradamente a dignidade de outro, causando-lhe dano ou sofrimento físico ou mental no exercício de emprego, cargo ou função. A pena estipulada será de detenção de um a dois anos e multa, aumentada de um terço se a vítima for menor de 18 anos. Isso sem prejuízo da pena correspondente à violência, se houver. A causa somente terá início se a vítima representar contra o ofensor. Essa representação é irretratável, ou seja, a pessoa não pode desistir dela posteriormente. O texto ressalta que, na ocorrência de transação penal, esta deve ter caráter educativo e moralizador. A transação penal é um mecanismo pelo qual, em crimes e contravenções de menor potencial ofensivo (pena máxima não superior a dois anos), o acusado aceita uma forma de acordo em que ele opta por não enfrentar um processo criminal para não correr o risco de sair condenado ao final, se considerado culpado. Como a transação penal envolve o cumprimento de penas alternativas – como prestação de serviços à comunidade ou pagamento de determinado valor para instituição de caridade –, o projeto de lei determina a aplicação de pena de caráter educativo e moralizador. Empresas A relatora explicou que não acatou emendas para incluir penalidades para empresas nas quais ocorrerem os crimes de assédio moral porque o Código Penal não trata de penas para pessoas jurídicas. Ela também não aceitou emenda para incluir na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) a possibilidade de o trabalhador pedir rescisão por justa causa se sofrer assédio moral no trabalho. Divergências A proposta enfrentou resistência de alguns parlamentares. Para o deputado Hildo Rocha (MDB-MA), a definição do texto é muito ampla. Precisamos definir o que é dano, o que é sofrimento. Não estamos entregando um trabalho completo, afirmou. O projeto também foi criticado pelo deputado Newton Cardoso Jr (MDB-MG). Temos de rever o texto para que o País não perca a capacidade de gerar empregos, declarou. Já a relatora, Margarete Coelho, defendeu a medida. Este texto não pune as empresas em momento algum, estamos na esfera penal, onde a responsabilidade é do agente, ressaltou. A deputada Erika Kokay (PT-DF) também foi favorável à proposta. São as mulheres as maiores vítimas do assédio moral, da coisificação e objetificação, declarou. Vários deputados destacaram que a prática de assédio moral leva ao adoecimento de empregados. O assédio moral leva ao adoecimento psíquico, tantas vezes ao suicídio, em todas as profissões, disse a deputada Maria do Rosário (PT-RS). O deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) avaliou que a proposta vai fortalecer as relações de trabalho. Quem é subordinado sabe do significado e da relevância da relação respeitosa, segura e madura no mundo do trabalho, afirmou. Autor de uma das propostas que tramitam em conjunto, o deputado Subtenente Gonzaga (PDT-MG) disse que o tema é de relevância para as trabalhadoras da segurança pública. É fundamental que o assédio moral esteja no Código Penal para evitar a humilhação e o adoecimento dos trabalhadores em razão de uma relação de dominação, declarou.

Fonte: Câmara dos Deputados Federais.