Corregedora intensificará fiscalização em tribunais

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No começo dos anos 70, a ministra Eliana Calmon, que acaba de deixar o Superior Tribunal de Justiça (STJ) para assumir a Corregedoria Nacional de Justiça, sentou-se ao lado direito de um magistrado em um julgamento em Pernambuco, no local reservado para procuradores da República, cargo que ocupava na ocasião, aos 29 anos. Logo foi abordada por um advogado que perguntou se ela era procuradora. Ao responder que sim, ele replicou: “Pensei que a senhora fosse escrivã e tinha sentado do lado errado”. O advogado não sabia que estava diante da primeira mulher a ocupar um cargo de procuradora da República na região Nordeste, e que se tornaria mais tarde também a primeira desembargadora do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região e ministra do STJ, onde está há uma década. O advogado se retratou: “Ah, é que a senhora não é daqui né, é da Bahia?” Ao receber a resposta afirmativa, acrescentou: “Percebi, pois a senhora está muito cheia de balangandãs”, referindo-se ao fato de a procuradora estar vestida de modo feminino. O incidente é uma pequena mostra dos diversos desafios que Eliana viria a enfrentar ao longo dos 32 anos de carreira como magistrada. Agora, a ministra se prepara para uma tarefa nada fácil à frente da corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ela quer tolerância zero para a corrupção no Judiciário e quer investir nas corregedorias estaduais, que hoje funcionariam como “órgãos decorativos” de fiscalização dos tribunais, onde, para ela, começam os casos de corrupção. Conhecida por “não ter papas na língua” e defender suas posições, a ministra fez um pedido para si mesma, antes da entrevista: “Que eu segure minha língua dessa vez”.