CPMF domina debate com ministro da Fazenda no Plenário da Câmara

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Segundo Joaquim Levy, contribuição é necessária para manter benefícios como o seguro-desemprego. Já deputados contrários à recriação da CPMF afirmaram que o governo deveria priorizar reformas estruturantes em vez de elevar tributos

A possível volta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) foi o tema mais discutido, nesta quarta-feira (14), durante comissão geral no Plenário da Câmara dos Deputados com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

A nova contribuição está prevista na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 140/15, do Executivo, com uma alíquota de 0,20{7a3a68e1616b7aaba0d480ce0a8cac54774e7fddc429e25618f6fd9a5a093145}, a ser cobrada até 31 de dezembro de 2019. Pelo texto, a arrecadação da CPMF será destinada ao custeio da Previdência Social, no âmbito da União.

Em Plenário, Levy defendeu a recriação da contribuição – criada em 1996 e extinta em 2007 – e rebateu críticas de que associar a CPMF à previdência não seria bom. “No momento em que a atividade econômica desacelerou e as receitas da previdência diminuíram, garante-se, com a contribuição, um equilíbrio, uma receita provisória”, argumentou.

Para o líder do Solidariedade, deputado Arthur Oliveira Maia (BA), porém, a proposta não será aprovada pelo Congresso. “Esqueça a CPMF. Ela não será aprovada porque é um imposto condenado pela opinião pública”, disse ao ministro. Maia lembrou que o tributo não foi renovado em 2007 quando o ex-presidente Lula possuía altos índices de popularidade e amplo apoio no Congresso.

Em resposta ao parlamentar, Levy ponderou que, se a contribuição não for aprovada, há risco de problemas em benefícios importantes, como o seguro-desemprego. “A CPMF permite que o seguro-desemprego fique protegido. Queremos a contribuição para que tenhamos dinheiro para pagar todas as responsabilidades da Seguridade Social”, destacou o ministro.

Já o líder do Pros, deputado Domingos Neto (CE), reclamou de o Executivo não ter avisado os líderes da base sobre a recriação da CPMF antes do anúncio oficial. “Como o governo diz que quer fazer reforma na previdência se a CPMF será direcionada a ela?”, contestou.

Reformas estruturantes

Pela liderança do DEM, o deputado Rodrigo Maia (RJ) se manifestou contra a CPMF. Para ele, o governo deve buscar reformas estruturantes, como a da previdência, em vez de propor aumento na carga tributária e outras medidas do ajuste fiscal. “O que nós esperamos é que governo tenha uma pauta sem CPMF como medida de urgência. Que envie para o Congresso uma reforma da Previdência”, disse Maia.

O ministro reiterou sua defesa da contribuição provisória, porém concordou com a necessidade de mudanças estruturais no modelo previdenciário brasileiro, com a definição da idade mínima para aposentadoria e mais “firmeza” contra excessos na concessão do auxílio-doença.

Vice-líder da Minoria, o deputado Moroni Torgan (DEM-CE) reclamou da demora do Executivo em propor alternativas ao ajuste fiscal além do aumento de impostos e juros. “Quando as grandes fortunas vão pagar o preço? Quando essas pessoas vão fazer o sacrifício que nosso povo está fazendo há tanto tempo?”, questionou , em relação à regulamentação do Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), tributo previsto na Constituição.

Custo social

O líder do PSD, deputado Rogério Rosso (DF), que solicitou a comissão geral, comentou que as medidas enviadas pelo governo, como a recriação da CPMF, a renovação da Desvinculação das Receitas da União (DRU) e a repatriação de recursos do exterior, são difíceis de serem aprovadas pelo alto custo social que produzem.

“Respeitamos o seu ajuste fiscal, e ele é base do plano econômico, mas uma empresa fechada não retoma mais as suas atividades”, observou Rosso, defendendo incentivos para o aumento da competitividade das companhias brasileiras. “Por isso, o meu coro é: ‘Muda, Levy!’”, finalizou Rosso.


Medida justa

Diferentemente de outros líderes da base aliada, o líder do PMDB, deputado Leonardo Picciani (RJ), defendeu a volta da CPMF. “Creio que é um tributo justo, com alíquota pequena e sem base ampla ou dificuldade para cobrança”, declarou. Ele reconheceu que a carga tributária brasileira é alta e sugeriu a discussão da reforma da previdência. “A conta não se sustenta mais. É preciso tomar medidas, sob pena de o sistema ficar inviável para as próximas gerações”, disse.

A líder do PCdoB, deputada Jandira Feghali (RJ), lembrou que a contribuição não surgiu por acaso em 2006 e, sim, para completar o subfinanciamento da saúde. “É um tributo correto, com volume importante de recursos, porém hoje não deve ser só para a saúde. É para a previdência social como um todo”, disse ela, apontando ainda a possibilidade de repartição da arrecadação da CPMF com estados e municípios, como defendem prefeitos e governadores.

ÍNTEGRA DA PROPOSTA:

Reportagem – Murilo Souza e Tiago Miranda

Edição – Marcelo Oliveira