Depoimento de Delcídio é remarcado para a próxima terça-feira.

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Para atender a pedido do advogado de defesa do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS), Raul Amaral, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar remarcou para a próxima terça-feira (26) o depoimento do investigado.

Nesta terça-feira (19), ele deveria ter prestado esclarecimentos em relação ao processo por quebra de decoro, mas optou por não comparecer, segundo comunicação enviada ao Conselho na segunda-feira (18). A justificativa é de que o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não realizou o traslado de toda a documentação referente a seu caso ao colegiado.

Ele foi preso em novembro do ano passado sob a alegação de obstrução de investigações em relação à Operação Lava Jato, sendo solto após 87 dias e o fechamento de um acordo de delação premiada.

Para o relator do processo, senador Telmário Mota (PDT-RR), a quarta tentativa de se ouvir o senador é a prova cabal de que o Conselho, “de nenhuma maneira”, tenta cercear o direito de defesa por parte de Delcídio. Telmário reiterou que cabe ao Senado julgar se o senador feriu ou não o decoro parlamentar em relação a seu envolvimento em suposto plano de fuga do país do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Não são aspectos penais referentes a esse caso que serão julgados, disse.

Protelação

Telmário e outros membros do Conselho – como Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Otto Alencar (PSD-BA) e Ataídes de Oliveira (PSDB-TO) – entendem que Delcídio vem atuando com a intenção de protelar “ao máximo” o julgamento de seu caso por parte do Senado.

— Na Câmara se fala abertamente que Michel Temer, chegando à Presidência, virá em seguida um acordão livrando dezenas de deputados e também o senador Delcídio dos casos na Lava Jato — disse Otto. Ele observou, no entanto, que não suspeita do atual vice-presidente em relação a um suposto “acordão”.

Delcídio também foi criticado por senadores por ter declarado, em entrevista ao canal SBT neste final de semana, que pretende participar de todo o processo de julgamento do impeachment de Dilma no Senado.

— Ele agora quer passar de réu a julgador. O Senado não vai ser a Câmara, com certeza. Réus não vão estar julgando ninguém — afirmou Telmário, garantindo que seu relatório será apresentado “com a maior rapidez possível” após o depoimento de Delcídio.

Durante a reunião os senadores também aprovaram a dispensa do envio da documentação do STF referente ao caso de Delcídio. A solicitação havia sido aprovada anteriormente. Telmário lembrou que o atraso no encaminhamento dos documentos se deu em decorrência de ação da própria defesa de Delcídio, que solicitou a inclusão de novos materiais, levando à realização de mais diligências. Para ele, isso faria parte da “estratégia protelatória”.

Raul Amaral reiterou que esses elementos são fundamentais para que o senador realize a “melhor defesa possível”. Ele observou ainda que o parlamentar “jamais atuou buscando a evasão do país de quem quer que fosse”.

 

Fonte: Senado Federal.