Empresas despertam para os crimes digitais

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Com a informatização das empresas, o mundo do crime ficou muito mais próximo dos escritórios do que antigamente. Hoje, milhares de ameaças, muitas delas grosseiras, chegam às caixas de entrada de e-mails corporativos, podendo causar mais danos do que aparentemente sugerem. “Nos últimos sete anos, houve um grande aumento do vazamento de informações sigilosas pela rede, como planilhas de custo e planos estratégicos”, afirma Renato Opice Blum, fundador do escritório paulista Opice Blum Advogados Associados, um dos mais importantes da América Latina, especializado em fraudes eletrônicas.

O crescimento de problemas relacionados a negócios no mundo virtual é expressado em números. A americana McAfee, empresa especializada em programas antivírus, estimou que os custos dos crimes perpetrados via internet no mundo geraram um prejuízo para as empresas equivalente a US$ 1 trilhão em 2008. No Brasil, não existem dados abrangentes, nem mesmo no âmbito do Comitê Gestor da Internet. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban), no entanto, afirma que os prejuízos causados por fraudes chegam a R$ 500 milhões por ano. Para proteger-se desse tipo de ameaças, calcula-se que apenas as empresas do setor financeiro brasileiro gastam algo em torno de R$ 1,5 bilhão anuais no combate às fraudes virtuais.

Mas não são somente os grandes negócios, como os bancos, os prejudicados. Segundo uma pesquisa da Symantec, outra empresa de informática especializada em programas antivírus, as pequenas e médias empresas da América Latina já gastam uma média de US$ 23,4 mil por ano no combate a fraudes eletrônicas. Desse total, dois terços são destinados à proteção de informações. “As pequenas e médias empresas perceberam que perdem mais dinheiro quando não protegem adequadamente suas informações”, afirma Opice Blum.

Quinze anos atrás, quando Opice Blum formou o escritório de advocacia, sua equipe se resumia a três advogados e cuidava basicamente de contratos de software e hardware. Atualmente, o escritório conta com 60 profissionais, com demandas que vão desde crimes comuns, como calúnia e injúria na internet, até outros bem mais específicos, como a quebra de sistemas por hackers. A abrangência deles também aumentou e seus processos ultrapassam as fronteiras brasileiras – pelo menos uma vez por mês, Opice Blum viaja para os Estados Unidos para cuidar de casos em cortes americanas.

Ainda melhor para Opice Blum e seus associados, seu escritório tem aproveitado essas oportunidades num mercado com escassa concorrência. Segundo ele, ainda hoje poucos escritórios de direito atentaram para a importância dos crimes eletrônicos. “A formação tradicional do advogado não contempla o mundo digital”, diz. A situação começa a mudar, porém. Hoje, o advogado dá aulas sobre direito digital nos cursos de graduação da Fundação Getúlio Vargas e do Mackenzie e numa especialização da USP. “A nova geração está buscando mais aprimoramento na área”, diz.