Fazenda fará sindicância na Casa da Moeda

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Por Luciana Otoni e Bruno Peres | De Brasília

Seis dias depois de demitir Luiz Felipe Denucci da presidência da Casa da Moeda, o Ministério da Fazenda decidiu ontem abrir investigação para apurar denúncias de corrupção envolvendo o ex-dirigente da estatal. “Em face de reportagens publicadas na imprensa nos últimos dias relacionadas à Casa da Moeda, o Ministério da Fazenda decidiu instaurar comissão de sindicância investigativa para apurar as informações mencionadas”, informou o ministério em nota oficial.

A nota foi divulgada em meio ao surgimento de novas informações indicando que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, teria mantido Luiz Denucci no cargo mesmo depois de ter sido alertado sobre as suspeitas. Na terça-feira, o jornal “Folha de S. Paulo” publicou reportagem vinculando a demissão de Denucci à acusação de seu envolvimento em esquema de recebimento de comissão de fornecedores da Casa da Moeda. Indicado pelo PTB, ele estava à frente do órgão desde 2008.

Em fevereiro do ano passado, os petebistas reivindicaram o cargo e pediram que o governo substituísse Denucci, por considerá-lo distante do partido. Ele, no entanto, foi mantido na presidência da Casa da Moeda.

Na reportagem, a “Folha de S. Paulo” informou que Denucci possuía duas empresas nas Ilhas Virgens Britânicas, conhecido paraíso fiscal, e que elas teriam recebido US$ 25 milhões nos últimos três anos. Ontem, o jornal publicou matéria apontando que o ministro Mantega havia sido comunicado no ano passado sobre essas transações.

Após a revelação dessas informações, políticos da base aliada ao governo no Congresso Nacional cogitaram a possibilidade de convocar o ministro. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse, porém, não crer na necessidade de Guido Mantega comparecer ao Legislativo para prestar informações sobre a demissão do presidente da Casa da Moeda.

Jucá também assegurou não ter havido orientação do Palácio do Planalto para “blindar” Mantega, evitando seu depoimento no Congresso. Questionada ontem sobre o assunto ao deixar a sessão de abertura dos trabalhos legislativos, a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, não se manifestou.