Fisco francês investiga como as multinacionais escapam do imposto

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As multinacionais adeptas da otimização fiscal, praticada pelos grandes grupos para reduzir seus impostos, estão na mira do fisco francês, que avalia em até 1 bilhão de euros o rombo para os cofres públicos deixados pela sonegação dessas companhias.


O site de pesquisas Google, por exemplo, apresentou volume de negócios entre 1,250 e 1,4 bilhão de euros em 2011, segundo estimativas. Contudo, os ingressos declarados na França para 2011 pela companhia seriam de 138,4 milhões de euros, considerado pouco pelos especialistas.


A Microsoft, por sua vez, pagou 21,6 milhões em impostos para um volume de negócios de 493 milhões, enquanto Apple e Facebook pagaram respectivamente 6,7 milhões e 117.241 euros de impostos para um volume de negócios de 52 milhões e 4,9 milhões.


“Estas cifras são muito surpreendentes quando se conhece o volume de negócios real” destas empresas da era digital, estima Eric Vernier, investigador associado do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas e especialista em lavagem de dinheiro. “Estimamos algo entre 500 milhões e 1 bilhão de euros em perdas fiscais por ano para a França”, completou.


Implementando uma série de montagens financeiras, batizadas de “sanduíche holandês”, o Google estaria pagando uma porcentagem de impostos inferior à devida.


O Tesouro francês exige ainda 252 milhões de dólares da líder mundial de comércio eletrônico Amazon em impostos e multas correspondentes aos anos de 2006 a 2010, segundo um documento oficial do grupo que pode ser consultado no site das autoridades da bolsa americanas SEC.


A Amazon diz estar em “desacordo” com a estimativa da administração fiscal francesa e advertiu que lutará para defender suas posições, segundo o texto, que figura em um anexo dos resultados trimestrais do grupo e que foi colocado no site no fim de outubro.


Contudo, os gigantes da internet não são os únicos que pagam pouco ou nada em termos de imposto.


Presente na França há oito anos, a rede de café Starbucks jamais pagou impostos. O grupo alega que não ganha dinheiro no país e por isso não paga impostos sobre os lucros.


A empresa, com sede em Amsterdã, emprega “mais de 200 pessoas” e serve “enormemente em serviços de apoio financeiro, contabilidade e design”, explica Olivier de Mendez, diretor de comunicação do grupo.


“Nosso objetivo não é reter os lucros rapidamente e se isso significa que depois teremos de pagar os impostos sobre os lucros, teremos prazer em fazê-lo”, disse à AFP.


A investigação francesa indica que a alocação dos recursos entre diferentes jurisdições estrangeiras, onde os grupos estão presentes.


Os diretores de Starbucks, Amazon e Google explicaram na segunda-feira por que as grandes multinacionais norte-americanas pagam poucos impostos também no Reino Unido, diante de deputados visivelmente pouco convencidos de suas explicações.


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