Impugnações atingem 228 candidatos de 25 partidos

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A Lei da Ficha Limpa atingiu praticamente todos os partidos nas eleições deste ano. Até o início deste mês, pelo menos 228 candidatos de 25 partidos haviam tido suas candidaturas impugnadas pelos tribunais eleitorais com base nessa lei.

A legenda com maior número de candidatos impugnados é o PMDB (31), seguido por PP (23), PTB (18), PR (16) e PSB (15). No entanto, essa contabilidade não necessariamente significa que o maior número de impugnados seja desses partidos, uma vez que deve ser considerado o número de candidatos que cada sigla lançou.

Os candidatos foram impugnados por pelo menos uma das 14 hipóteses de inelegibilidade previstas pela lei, como punições por órgãos colegiados do Judiciário. Os casos mais comuns são de condenados por improbidade administrativa, compra de votos ou abuso do poder político ou econômico e por tribunais de contas estaduais.

 

Nesse grupo de 228 impugnados, quatro são candidatos a governador: Joaquim Roriz (PSC-DF), Expedito Júnior (PSDB-RO), Jackson Lago (PDT-MA) e Ronaldo Lessa (PDT-AL). Os quatro disputam as eleições em seus Estados com chances reais de vitória, mas foram prejudicados pela exposição a que foram submetidos pelos adversários quanto à indefinição da Justiça sobre suas candidaturas.

Roriz, caso julgado ontem pelo Supremo Tribunal Federal, iniciou a campanha muito à frente de Agnelo Queiroz (PT), que utilizou o fato de ele ser um “ficha-suja” na campanha e acabou virando. Na mais recente pesquisa, o petista tinha 44{7a3a68e1616b7aaba0d480ce0a8cac54774e7fddc429e25618f6fd9a5a093145} das intenções de voto contra 31{7a3a68e1616b7aaba0d480ce0a8cac54774e7fddc429e25618f6fd9a5a093145} de Roriz, que tomou a iniciativa de não se expor tanto e fazer uma campanha mais discreta. Queiroz também tinha sido denunciado mas não processado, portanto ficou fora do alcance da lei.

Em Rondônia, Expedito Júnior (PSDB), cassado em 2006 por compra de votos e abuso do poder econômico, largou na frente nas pesquisas, mas, também com sua candidatura nas mãos da Justiça, caiu nas pesquisas. No Ibope no início deste mês, ele está em terceiro, tecnicamente empatado com Confúcio Moura (PMDB), com 22{7a3a68e1616b7aaba0d480ce0a8cac54774e7fddc429e25618f6fd9a5a093145}. Quem lidera no estado é João Cahulla (PPS), com 24{7a3a68e1616b7aaba0d480ce0a8cac54774e7fddc429e25618f6fd9a5a093145}.

O ex-governador do Maranhão Jackson Lago (PDT) é outro afetado pela lei. Cassado em março de 2009 por compra de votos, tenta neste ano voltar ao cargo. Assiste, porém, ao terceiro colocado nas pesquisas, Flávio Dino (PCdoB) se aproximar cada vez mais dele. A situação atual é de empate técnico, em 21{7a3a68e1616b7aaba0d480ce0a8cac54774e7fddc429e25618f6fd9a5a093145}. Roseana Sarney Sarney (PMDB) lidera, com 46{7a3a68e1616b7aaba0d480ce0a8cac54774e7fddc429e25618f6fd9a5a093145}, sofreu denúncia para não foi enquadrada na lei.

Em Alagoas, Ronaldo Lessa (PDT), barrado pela lei por condenação de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2004, assistiu o atual governador Teotônio Vilela (PSDB) ganhar as intenções de votos perdidas por Fernando Collor (PTB) durante a campanha. Lessa largou com 26{7a3a68e1616b7aaba0d480ce0a8cac54774e7fddc429e25618f6fd9a5a093145}, atrás de Collor (38{7a3a68e1616b7aaba0d480ce0a8cac54774e7fddc429e25618f6fd9a5a093145}) e à frente de Vilela (21{7a3a68e1616b7aaba0d480ce0a8cac54774e7fddc429e25618f6fd9a5a093145}). Hoje o quadro mostra empate técnico. Ele tem 28{7a3a68e1616b7aaba0d480ce0a8cac54774e7fddc429e25618f6fd9a5a093145}, Vilela tem 27{7a3a68e1616b7aaba0d480ce0a8cac54774e7fddc429e25618f6fd9a5a093145} e Collor 29{7a3a68e1616b7aaba0d480ce0a8cac54774e7fddc429e25618f6fd9a5a093145}. Collor não foi pego pela lei.

Nenhum deles admitia a existência de “plano B”, no caso de impedimento de candidatura, mas as campanhas, com a decisão parcial da Justiça, foram perdendo força. No Maranhão, políticos ligados a Lago só faziam uma afirmação: havendo segundo turno, a oposição estará unida, o que significaria aliança com o candidato Flávio Dino (PC do B). Mas não havia discussão de nomes para uma eventual substituição de Lago.

No caso do Senado, candidatos que lideram ou têm boa chance de vencer a disputa também foram atingidos pela lei e dependiam da decisão do STF, como os ex-governadores Cássio Cunha Lima (PSDB) na Paraíba (que aparece em primeiro lugar nas pesquisas, com 49{7a3a68e1616b7aaba0d480ce0a8cac54774e7fddc429e25618f6fd9a5a093145}) e Marcelo Miranda (PMDB) em Tocantins, com 46{7a3a68e1616b7aaba0d480ce0a8cac54774e7fddc429e25618f6fd9a5a093145}, tecnicamente empatado com João Ribeiro (PR). (Colaboraram Paulo de Tarso Lyra e Raquel Ulhôa)