Indústria gráfica tenta vencer o desafio tributário e a concorrência chinesa

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Setor vai iniciar campanha para mudar a imagem negativa do consumo de papel


Por Luiz Gustavo PACETE


Reunidos no prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), mais de 30 presidentes de sindicatos da indústria gráfica e representantes da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf) discutiram na última segunda-feira (16/9) os principais desafios do setor.


Responsável por agrupar 20 mil empresas, a indústria gráfica brasileira faturou R$ 44 bilhões em 2012. Fábio Mortara, presidente da Abigraf, explicou à DINHEIRO que entre os grandes desafios do setor estão os conflitos tributários. “Temos uma ação no Supremo junto com a Associação Brasileira de Embalagens que propõe a redução de tributos para o setor que atualmente concorre com a China”, afirma.

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Algumas editoras brasileiras estão imprimindo seus livros na China

Em relação à concorrência estrangeira, uma grande tendência tem sido a impressão de livros, por parte de editores brasileiros, na China. “O que acontece neste tema é uma injustiça, já que, se uma editora manda para a China, ela consegue colocar o produto de volta ao Brasil sem nenhum tributo.” Mortara prefere não criticar a prática das editoras, mas ressalta que isso vem tirando a competitividade do setor.

Outra questão que está parada na Câmara Federal é a desoneração em materiais didáticos. “O projeto estava bem encaminhado, mas acabaram trocando o relator, que agora parece desfavorável. Hoje, temos produtos de material escolar com mais de 50{7a3a68e1616b7aaba0d480ce0a8cac54774e7fddc429e25618f6fd9a5a093145} de impostos.” Apesar das dificuldades, recentemente, o ministério da Fazenda aprovou o fim das alíquotas de importação de cem produtos.

Tendências e dificuldades

Mortara explica que apesar dos desafios do setor como um todo, alguns segmentos dentro do setor estão em ritmo de crescimento. Ele destaca a produção de embalagem, o setor de impressão de fotografias e rótulos e também os produtores de cadernos. Já a área editorial e promocional estão com dificuldades. Em meio a um esforço para reverter a imagem negativa que muitas vezes a indústria gráfica enfrenta relacionada a derrubada de árvores e consumo de papel, Mortara explica que a Abrigaf vai iniciar uma campanha para mostrar que a indústria não é nada do que pensam em termos de sustentabilidade. “Falta muita informação sobre nosso setor e queremos mudar isso. Hoje, o Brasil é o melhor produtor de celulose, possui práticas modernas e tecnológicas.”

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Campanha do setor quer desfazer imagem negativa do consumo de papel

A questão da desinformação visa aproximar o setor dos consumidores. “Também é preciso mudar a imagem que as pessoas tem do papel. Mostrar que ele é sustentável, que as florestas seqüestram carbono e que existe um equilíbrio entre produção e ambiente”, afirma.

 

viaIndústria gráfica tenta vencer o desafio tributário e a concorrência chinesa – ISTOÉ Dinheiro.