Ministro Sanseverino traça cenário da jurisprudência do STJ sobre responsabilidade civil no CDC

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“A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) está garantindo a efetividade do Código de Defesa do Consumidor (CDC)”, disse o ministro Paulo de Tarso Sanseverino na segunda palestra realizada na tarde desta segunda-feira (16) durante o Seminário Internacional de Direito de Consumidor, em comemoração aos 25 anos do CDC.

 

O presidente da mesa foi o ministro Raul Araújo, e o debatedor convidado, o professor da Universidade Católica do Rio Grande do Sul (RS) Adalberto Pasqualotto.

 

Sanseverino traçou um panorama dos quatro pressupostos da responsabilidade civil de acordo com o CDC: defeito do serviço, imputação ao fornecedor, nexo causal e danos. Fez também uma análise de precedentes ligados a cada um desses pressupostos no STJ. Para ele, no que diz respeito à responsabilidade civil, a jurisprudência da corte tem se mostrado estável e muito efetiva na proteção do consumidor desde a década de 90.

 

Primeiro precedente

 

Nas pesquisas realizadas por Sanseverino, umas das primeiras discussões que chegou ao STJ a respeito da responsabilidade civil tratava da responsabilidade de shoppings, supermercados e bancos sobre veículos em seus estacionamentos. O caso foi apreciado, ainda, na perspectiva do Código Civil de 1916, porque o fato era anterior ao CDC, mas foi um precedente que abriu caminho para a Súmula 130 do STJ, que reconhece a responsabilidade civil dessas empresas.

 

Sanseverino relembrou também o caso de uma das mais altas indenizações aplicadas pelo STJ referente a um acidente de consumo (R$ 1 milhão), no REsp 1036485, de relatoria da ministra Nancy Andrighi. O caso envolveu a morte de um empresário em Santa Catarina por defeitos nos pneus em um veículo da Ford. O acidente aconteceu depois que o recall dos automóveis já tinha sido realizado no mundo inteiro.

 

Responsabilidade objetiva

 

Outra súmula destacada foi a 479, que disciplina que as instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno, relativos a fraudes e delitos praticados por terceiros, no âmbito das operações bancárias.

 

O ministro falou ainda da responsabilidade solidária dos fornecedores, tema frequente nos recursos especiais. Em boa parte desses casos, disse o ministro, o STJ tem decido que a responsabilidade é solidária, como aconteceu em um processo de relatoria do ministro Marco Aurélio Belllizze.

 

Nesse processo, uma administradora de cartão de crédito e as instituições financeiras faziam uma espécie de jogo de empurra em relação à responsabilidade pelo dano causado ao consumidor. Para o STJ, a responsabilidade foi solidária, sem prejuízo para que, em ação de regresso, as instituições decidam entre si o conflito.

 

Sintonia

 

O professor Adalberto Pasqualotto citou ainda o caso da Panasonic, em que a Quarta Turma proclamou no Brasil a vigência da garantia internacional no país de produtos de marca estrangeira. Falou também sobre a possibilidade do reconhecimento de excludentes de responsabilidade, como no caso de um menino baleado em um shopping por bala perdida.

 

Para Sanseverino, de tudo o que foi exposto, é possível concluir que o STJ tem caminhado em sintonia com os valores do código consumerista e na correta aplicação dos princípios e institutos da responsabilidade civil do CDC.  “Esperamos que isso prossiga nos próximos 25 anos, quando vamos comemorar as bodas de ouro do nosso Código de Defesa do Consumidor”.

Superior Tribunal de Justiça