Ministros do STF pedem sistema antigrampo em seus telefones

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Com medo de que suas ligações telefônicas sejam grampeadas, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) defendem a instalação de um sistema de telefonia criptografado. Na sessão administrativa ocorrida na última quinta-feira no gabinete do presidente da corte, Cezar Peluso, os integrantes do STF conversaram sobre a possibilidade de os telefones fixos que eles usam também serem antigrampo.

Atualmente, cada um dos ministros conta com dois aparelhos celulares criptografados. Um aparelho fica com o ministro e o outro com uma pessoa escolhida por ele. Por meio do sistema de criptografia, as conversas originais são transformadas em irreconhecíveis e não podem ser entendidas por um eventual interceptador da ligação.

Na reunião de quinta-feira, o secretário de administração e finanças do tribunal, Washington Luiz Ribeiro da Silva, comunicou aos ministros que já estava disponível a instalação na casa deles de um ramal do gabinete. Ao ser questionado se esse ramal será criptografado, ele disse que por enquanto apenas os celulares contavam com o sistema para embaralhar as ligações.

Dúvidas
Flagrada pela imprensa numa conversa virtual com o colega Ricardo Lewandowski no meio do julgamento da denúncia do mensalão, a ministra Cármen Lúcia mostrou que tem dúvidas sobre a eficiência do sistema de criptografia. “Eu sou mineira”, disse. “Do tempo do Tancredo Neves”, afirmou. “O negócio é não falar.”

As preocupações dos ministros com eventuais grampos se intensificaram depois que o STF divulgou a notícia de que o então presidente da corte, Gilmar Mendes, teria sido vítima de uma interceptação clandestina. No final de 2008, o tribunal, alegando motivos de segurança, decidiu comprar 55 telefones criptografados.

Além da preocupação com grampos telefônicos, o STF tem intensificado medidas para garantir a segurança de seus ministros. O tribunal decidiu recentemente trocar os vidros das 240 janelas do prédio onde está instalado o plenário do Supremo.

No lugar dos atuais, serão instalados vidros a prova de balas. Outra medida de segurança foi colocar trancas eletrônicas em portas. Um sistema de vigilância, com 275 câmeras, e catracas eletrônicas também reforçarão a segurança da corte.

Blindados
O tribunal tem alugado veículos blindados para transportar seus ministros em cidades consideradas perigosas, como São Paulo e Rio de Janeiro, e estuda trocar a sua frota em Brasília por automóveis com essa mesma proteção. O Supremo intensificou as medidas de segurança no deslocamento de seus integrantes depois que, em 2006, os ministros Ellen Gracie e Gilmar Mendes foram assaltados no Rio de Janeiro.