OAB: Comissão da Verdade ajudará o Brasil a desnudar história da ditadura

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 A criação da Comissão da Verdade, aprovada nesta quarta-feira pela Câmara dos Deputados e que segue agora para o Senado, foi destacada hoje pelo presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, como um fato da maior importância para que o Brasil possa desnudar e conhecer em toda sua extensão um período nebuloso de sua história, que foi a ditadura militar (1964-85).  A Comissão terá dois anos para esclarecer casos de violações de direitos humanos na ditadura. A criação desse órgão sempre contou com apoio integral da OAB, lembrou ele, para advertir que “de nada adiantará uma Comissão da Verdade se ela não for integrada por pessoas comprometidas com essa luta a da sociedade brasileira “.

A seguir, o comentário do presidente nacional da OAB sobre a aprovação da Comissão da Verdade pela Câmara dos Deputados:

“A Ordem dos Advogados do Brasil sempre foi partidária de ações que objetivassem desnudar a história deste  País. Há um período nebuloso da nossa história que, efetivamente, nunca foi contado. A Ordem foi pioneira em ajuizar uma ação de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a extensão da Lei da Anistia.  Essa tese nossa foi derrotada, mas a Ordem sempre se manteve com esse objetivo, não de proporcionar ou de estimular qualquer tipo de vingança, mas de  resgatar a história dos mortos e desaparecidos durante a ditadura. A criação da Comissão, dessa forma, é importante  para que o País possa conhecer sua história e construir, inclusive a partir dessas experiências negativas,  uma sociedade cada vez mais fraterna, mais justa e democrática.

Portanto, vem em boa hora essa decisão do Parlamento, a partir de articulações feitas com o governo. Agora, é fundamental que a presidente Dilma indique, pra integrar essa Comissão, pessoas que tenham compromisso com o Brasil. De pouco vai adiantar que essa Comissão, depois que tanto se lutou por ela, seja composta de pessoas que não tenham  compromisso com a luta que ela representou. O que se espera, portanto, é que os escolhidos para integrar a Comissão sejam pessoas que representem esse compromisso com a sociedade”.