Presidiários conseguem uma segunda chance no Supremo

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Muitos presidiários do regime semi-aberto, que retornam ao presídio à noite, e do sistema aberto, que cumprem regras no próprio domicílio, têm aprendido literalmente como é estar do outro lado da situação. O Supremo Tribunal Federal (STF) vem contratando essas pessoas para trabalhar em suas dependências, inclusive na Central do Cidadão, onde recebem as cartas dos presídios e, por vezes, auxiliam na elaboração de habeas corpus. Atualmente, 35 presidiários trabalham na Corte.

Um desses detentos, que prefere não se identificar, começou a trabalhar no Supremo em abril do ano passado. Foi preso por tráfico de armas e encaminhado ao presídio da Papuda, em Brasília, onde cumpriu quatro anos em regime fechado, depois de ter sido baleado com cinco tiros no ato da prisão. “Na minha família foi um choque, o primeiro caso de alguém preso”, diz. No presídio, resolveu tomar outro rumo. Começou a escrever peças de teatro, encenadas pelos colegas de prisão, e obteve autorização, na época, para apresentá-la em teatros. “Era uma forma de resgatar um pouco da nossa humanidade”, diz.

Com formação em filosofia e pai de dois filhos, o detento foi selecionado para trabalhar no museu do Supremo após passar para o regime semi-aberto. “Uma das exigências é que eles também comecem a estudar, muitos querem seguir a carreira de direito”, afirma Daniel Teles da Silva, chefe da seção de responsabilidade social, que realiza as contratações. O detento pretende seguir trabalhando na área cultural e lançar um livro de poemas, caso algum dia tenha uma oportunidade. “Somos condenados a duras penas, uma pela Justiça e a outra pelo preconceito da sociedade”, afirma. (LC)