STJ – Informativo nº 0691. Publicação: 12 de abril de 2021

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Este periódico, elaborado pela Secretaria de Jurisprudência do STJ, destaca teses jurisprudenciais
firmadas pelos órgãos julgadores do Tribunal nos acórdãos proferidos nas sessões de julgamento, não
consistindo em repositório oficial de jurisprudência
Número 691 Brasília, 12 de abril de 2021.
CORTE ESPECIAL
PROCESSO EAREsp 650.536/RJ, Rel. Min. Raul Araújo, Corte Especial, por maioria,
julgado em 07/04/2021.
RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL
TEMA Astreintes. Valor excessivo. Desproporcionalidade. Enriquecimento sem
causa. Preclusão. Coisa Julgada. Não submissão. Revisão a qualquer tempo.
Possibilidade.
DESTAQUE
É possível que o magistrado, a qualquer tempo, e mesmo de ofício, revise o valor desproporcional
das astreintes.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
Há, nos arestos confrontados, discussão de questão de direito processual, acerca de operar-se, ou
não, a preclusão ou a coisa julgada a impossibilitar a revisão pelo julgador do valor fixado a título de
astreintes. Há, outrossim, debate a respeito da possibilidade de revisão da multa cominatória se o
valor alcançado ferir os princípios da razoabilidade e proporcionalidade ou a vedação do
enriquecimento sem causa.
É possível a revisão do quantum fixado a título de multa cominatória, na via do recurso
uniformizador, por meio do exame da questão de direito processual adjacente – preclusão da
discussão do valor da multa cominatória -, mormente diante do flagrante exagero da quantia
alcançada, em afronta aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e à vedação do
enriquecimento sem causa.
Ressalte-se que a finalidade das astreintes é conferir efetividade ao comando judicial, coibindo o
comportamento desidioso da parte contra a qual foi imposta obrigação judicial. Seu escopo não é
indenizar ou substituir o adimplemento da obrigação, tampouco servir ao enriquecimento
imotivado da parte credora, devendo, pois, serem observados os princípios da razoabilidade e da
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proporcionalidade.
Nessa toada, a própria legislação que prevê a possibilidade de imposição de multa cominatória
autoriza o magistrado, a requerimento da parte ou de ofício, alterar o valor e a periodicidade da
multa, quando, em observância aos referidos princípios, entender ser esta insuficiente ou excessiva,
nos termos do art. 461, § 6º, do CPC/1973 e, atualmente, do art. 537, § 1º, do CPC/2015.
Interpretando as referidas normas processuais, o Superior Tribunal de Justiça firmou orientação
de que o valor das astreintes, previstas no citado art. 461 do Código de Processo Civil revogado
(correspondente ao art. 536 do Código vigente), é estabelecido sob a cláusula rebus sic stantibus, de
maneira que, quando se tornar irrisório ou exorbitante ou desnecessário, pode ser modificado ou
até mesmo revogado pelo magistrado, a qualquer tempo, até mesmo de ofício, ainda que o feito
esteja em fase de execução ou cumprimento de sentença, não havendo falar em preclusão ou ofensa
à coisa julgada. Considera-se que a multa não tem uma finalidade em si mesma e assim como pode
ser fixada de ofício pelo juiz, em qualquer fase do processo, também pode ser revista ex officio por
este, a qualquer tempo.
A propósito, no julgamento do Recurso Especial 1.333.988/SP, sob a sistemática dos recursos
repetitivos, a Segunda Seção, no Tema 706, consolidou a tese de que “a decisão que comina
astreintes não preclui, não fazendo tampouco coisa julgada”.
Por sua vez, a Primeira Seção, também julgando Recurso Especial Repetitivo para analisar o Tema
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medicamento a pessoa desprovida de recursos financeiros), afirmou a não incidência do instituto da
coisa julgada na revisão do valor das astreintes.
Nesse contexto, com respaldo na legislação e na jurisprudência desta Corte Superior, pode o
julgador, a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo, ainda que o feito esteja em fase de
cumprimento de sentença, modificar o valor das astreintes, seja para majorá-lo, para evitar a
conduta recalcitrante do devedor em cumprir a decisão judicial, seja para minorá-lo, quando seu
montante exorbitar da razoabilidade e da proporcionalidade, ou até mesmo para excluir a multa
cominatória, quando não houver mais justa causa para sua mantença.
Nessa linha de intelecção, ainda que já tenha havido redução anterior do valor da multa
cominatória, não há vedação legal a que o magistrado, amparado na constatação de que o total
devido a esse título alcançou montante elevado, reexamine a matéria novamente, caso identifique,
diante de um novo quadro, que a cominação atingiu patamar desproporcional à finalidade da
obrigação judicial imposta.
Nesse diapasão, em atenção aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, é recomendável
a redução, quantas vezes forem necessárias, do valor das astreintes, sobretudo nas hipóteses em que
a sua fixação ensejar valor superior ao discutido na ação judicial em que foi imposta, a fim de evitar
eventual enriquecimento sem causa.
Desse modo, fixada a premissa de que as astreintes não se sujeitam à preclusão ou à coisa julgada,
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deve-se definir os critérios para a melhor adequação do valor da multa quando ele se tornar
excessivo ou irrisório.
Acerca da temática, a Quarta Turma, em importante precedente, de relatoria do Ministro Luis
Felipe Salomão (AgInt no AgRg no AREsp 738.682/RJ), delineou que o julgador, na fixação e/ou
alteração do valor da multa cominatória, deve-se balizar segundo dois “vetores de ponderação: a)
efetividade da tutela prestada, para cuja realização as astreintes devem ser suficientemente
persuasivas; e b) vedação ao enriquecimento sem causa do beneficiário, porquanto a multa não é,
em si, um bem jurídico perseguido em juízo”. Assim, lançou o eminente Relator alguns parâmetros
para nortear o magistrado na difícil tarefa de fixar o quantum devido a título de astreintes: “i) valor
da obrigação e importância do bem jurídico tutelado; ii) tempo para cumprimento (prazo razoável e
periodicidade); iii) capacidade econômica e de resistência do devedor; iv) possibilidade de adoção
de outros meios pelo magistrado e dever do credor de mitigar o próprio prejuízo (duty to mitigate
de loss)”.
Assim, entende-se que o magistrado, diante da desproporção que alcançou o valor da multa diária
originariamente arbitrada, deve, com base nos referidos critérios, de ofício ou a requerimento da
parte, fazer novo balizamento do quantum, garantindo, com isso, a eficácia da decisão judicial e, ao
mesmo tempo, evitando o enriquecimento sem causa do beneficiário.
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PRIMEIRA SEÇÃO
PROCESSO EAREsp 31.084/MS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Primeira Seção,
por maioria, julgado em 24/03/2021.
RAMO DO DIREITO DIREITO TRIBUTÁRIO
TEMA ISSQN. Sociedades simples no regime limitado. Quadro societário
composto por médicos. Recolhimento do ISSQN pela alíquota fixa. Regime
do artigo 9º, § 3º, do Decreto-Lei n. 406/1968. Serviço prestado em
caráter pessoal e em nome da sociedade.
DESTAQUE
Sociedades simples fazem jus ao recolhimento do ISSQN na forma privilegiada previsto no art. 9º,
§§ 1º e 3º, do Decreto-Lei n. 406/1968 quando a atividade desempenhada não se sobrepuser à
atuação profissional e direta dos sócios na condução do objeto social da empresa, sendo irrelevante
para essa finalidade o fato de a pessoa jurídica ter se constituído sob a forma de responsabilidade
limitada.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
A questão cinge-se em saber se uma sociedade limitada faz jus ao recolhimento do ISSQN na
forma privilegiada previsto no art. 9º, §§ 1º e 3º, do Decreto-Lei n. 406/1968. No caso, trata-se de
sociedade simples limitada, em que o objeto social é a prestação de serviços médicos desenvolvidos
diretamente pelos sócios que compõem o quadro societário, cuja responsabilidade pessoal é regida
pelo Código de Ética Médica.
Pautado nas mais variadas concepções factuais, hodiernamente a jurisprudência dessa Corte tem
negado às sociedades limitadas, a benesse da tributação prevista no Decreto-Lei n. 406/1968, tendo
por parâmetro, ora a forma com que a sociedade é constituída (limitada, por exemplo), ora baseada
no método de distribuição de lucros de seus sócios entre si, se proporcionalmente ao serviço
prestado por cada um em nome da sociedade, ou se proporcionalmente à sua participação no capital
social.
Neste cenário, há de se esclarecer que o fato de uma sociedade simples adotar o regime de
sociedade limitada, não a torna automaticamente uma sociedade empresária. Em verdade, as
municipalidades ao interpretar a norma do artigo 9º, § 3º, do Decreto-Lei n. 406/1968 confundem a
limitação da responsabilidade perante as obrigações societárias, limitada às quotas de capital social
de cada um dos sócios, com a responsabilidade pessoal pela prestação do serviço, que decorre das
normas que regulamentam a profissão dos sócios.
A propósito, as profissões descritas no rol do Decreto-Lei n. 406/1968 possuem cada qual, uma
lei específica regulamentando e disciplinando a responsabilidade civil pelo exercício da profissão
para o público, seja de forma autônoma, seja através de uma pessoa jurídica constituída para esse
fim. Nesse cenário, conjugando esses regramentos profissionais, com a norma tributária que
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instituiu o benefício da alíquota fixa, não se pode condicionar o gozo da referida benesse fiscal ao
modelo societário elegido pelos sócios para a consecução do objeto social da pessoa jurídica. A rigor,
a responsabilidade pessoal descrita no artigo 9º, § 3º, do Decreto-Lei n. 406/1968 é aquela descrita
nas leis de regência de cada profissão.
Desse modo, quando os serviços prestados forem de caráter exclusivamente intelectual, não se
pode a partir da forma de constituição societária, avaliar o caráter empresarial da sociedade, como o
único elemento para se definir se ela faz jus ao benefício da alíquota fixa de de ISSQN, porquanto
existem sociedades limitadas que não são empresárias, conforme preveem expressamente os
artigos 982 e 983 do Código Civil.
Assim, a fruição do direito à tributação privilegiada do ISSQN depende, basicamente, da análise da
atividade efetivamente exercida pela sociedade, para saber se ela se enquadra dentre aquelas
elencadas no § 3º do art. 9º do Decreto-lei n. 406/1968 (itens 1, 4, 8, 25, 52, 88, 89, 90, 92 da lista
anexa à LC n. 56/1987), bem como se perquirir se a atividade intelectual, científica, literária ou
artística desempenhada pela pessoa jurídica não constitua elemento de empresa, ou melhor, nos
termos do artigo 966 do Código Civil, que os fatores de produção, circulação e de organização
empresarial não se sobreponham à atuação profissional e direta dos sócios na condução do objeto
social da empresa, sendo irrelevante para essa finalidade o fato de a pessoa jurídica ter se
constituído sob a forma de responsabilidade limitada.
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TERCEIRA SEÇÃO
PROCESSO HC 610.201/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Terceira Seção, por maioria,
julgado em 24/03/2021.
RAMO DO DIREITO DIREITO PENAL, DIREITO PROCESSUAL PENAL
TEMA Crime de estelionato. Regra do § 5º do art. 171 do Código Penal
acrescentada pela Lei n. 13.964/2019 (Pacote Anticrime). Representação.
Condição de procedibilidade. Aplicação retroativa a processos com
denúncia já oferecida. Inviabilidade. Ato jurídico perfeito.
DESTAQUE
A exigência de representação da vítima no crime de estelionato não retroage aos processos cuja
denúncia já foi oferecida.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
A controvérsia aborda a retroatividade ou não da Lei n. 13.964/19, também conhecida por Pacote
Anticrime, no que toca ao seu aspecto alterador da natureza jurídica da ação penal no delito de
estelionato (art. 171 do Código Penal). A ação que era pública incondicionada, como cediço, passou a
exigir a representação da vítima, como condição de procedibilidade, tornando-se, assim, ação
pública condicionada à representação.
A celeuma então se instalou em relação àquelas ações penais já instauradas: seria a norma
retroativa? A representação da vítima seria também condição de prosseguibilidade? Ou em outros
termos, a vítima, quando já instaurada a ação penal, precisa comparecer em juízo para apresentar a
sua representação?
A retroatividade da norma que previu a ação penal pública condicionada, como regra, no crime de
estelionato, é desaconselhada por, ao menos, duas ordens de motivos.
A primeira é de caráter processual e constitucional, pois o papel dos Tribunais Superiores, na
estrutura do Judiciário brasileiro é o de estabelecer diretrizes aos demais Órgãos jurisdicionais.
Nesse sentido, verifica-se que o STF, por ambas as turmas, já se manifestou no sentido da
irretroatividade da lei que instituiu a condição de procedibilidade no delito previsto no art. 171 do
CP.
Em relação ao aspecto material, tem-se que a irretroatividade do art. 171, §5º, do CP, decorre da
própria mens legis, pois, mesmo podendo, o legislador previu apenas a condição de procedibilidade,
nada dispondo sobre a condição de prosseguibilidade. Ademais, necessário ainda registrar a
importância de se resguardar a segurança jurídica e o ato jurídico perfeito (art. 25 do CPP), quando
já oferecida a denúncia.
Oportuno assinalar, ainda, que prevalece, tanto neste STJ quanto no STF, o entendimento no
sentido de que “a representação, nos crimes de ação penal pública condicionada, não exige maiores
formalidades, sendo suficiente a demonstração inequívoca de que a vítima tem interesse na
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persecução penal. Dessa forma, não há necessidade da existência nos autos de peça processual com
esse título, sendo suficiente que a vítima ou seu representante legal leve o fato ao conhecimento das
autoridades”. (AgRg no HC 435.751/DF, Rel. Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe 04/09/2018).
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PRIMEIRA TURMA
PROCESSO RMS 51.841/CE, Rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Turma, por
maioria, julgado em 06/04/2021.
RAMO DO DIREITO DIREITO CONSTITUCIONAL
TEMA Membros do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas. Atuação
funcional. Requisição direta de documentos aos jurisdicionados.
Autonomia. Ausência de subordinação ao presidente da Corte de Contas.
Arts. 73, § 2º, I, e 130, da Constituição da República.
DESTAQUE
É assegurada, aos membros do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas, a prerrogativa de
requerer informações diretamente aos jurisdicionados do respectivo Tribunal, sem subordinação ao
Presidente da Corte.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
A Constituição da República, em seu art. 73, § 2º, I, prevê a existência do Ministério Público junto
ao Tribunal de Contas da União, outorgando aos seus membros, nos termos do art. 130, as mesmas
prerrogativas, vedações e forma de investidura relativas ao Parquet, enquanto função essencial à
Justiça.
O Supremo Tribunal Federal, na exegese desses dispositivos, firmou orientação, há muito,
segundo a qual o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas é órgão de extração constitucional,
cuja existência jurídica tem sua gênese na Lei Maior, sem ostentar, entretanto, fisionomia
institucional própria.
Outrossim, ainda no âmbito do Supremo Tribunal Federal, restou consolidado o entendimento de
que o legislador constituinte, ao assegurar aos membros do Ministério Público de Contas as robustas
garantias do Ministério Público comum, deferiu àqueles um “status jurídico especial”, de modo a
possibilitar que sua atuação funcional se dê de modo exclusivo e autônomo, em relação a tal Corte.
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SEGUNDA TURMA
PROCESSO REsp 1.833.358/PB, Rel. Min. Og Fernandes, Segunda Turma, por
unanimidade, julgado em 06/04/2021.
RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO, DIREITO FINANCEIRO
TEMA Precatório ou Requisição de Pequeno Valor – RPV. Cancelamento. Arts. 2º e
3º da Lei n. 13.463/2017. Reexpedição. Prescrição. Termo inicial.
Cancelamento.
DESTAQUE
É prescritível a pretensão de expedição de novo precatório ou RPV após o cancelamento
estabelecido pelo art. 2º da Lei n. 13.463/2017.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
Conforme o entendimento da Segunda Turma desta Corte Superior, é prescritível a pretensão de
expedição de novo precatório ou RPV após o cancelamento estabelecido pelo art. 2º da Lei n.
13.463/2017.
Nos termos do REsp 1.859.409/RN, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado
em 16/6/2020, DJe 25/6/2020: “1. Estabelecem, respectivamente, os arts. 2º e 3º da Lei
13.463/2017: “Ficam cancelados os precatórios e as RPV federais expedidos e cujos valores não
tenham sido levantados pelo credor e estejam depositados há mais de dois anos em instituição
financeira oficial”, “cancelado o precatório ou a RPV, poderá ser expedido novo ofício requisitório, a
requerimento do credor”. 2. A pretensão de expedição de novo precatório ou nova RPV, após o
cancelamento de que trata o art. 2º da Lei nº 13.463/2017, não é imprescritível.”
O fundamento é o de que, por aplicação do princípio da actio nata, conforme o referido
precedente, “o direito do credor de que seja expedido novo precatório ou nova RPV começa a existir
na data em que houve o cancelamento do precatório ou RPV cujos valores, embora depositados, não
tenham sido levantados”.
PROCESSO EDCL no REsp 1.785.364/CE, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma,
por unanimidade, julgado em 06.04.2021.
RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL
TEMA Fazenda Pública. Sentença ilíquida. Honorários advocatícios. Fixação de
percentual após a liquidação do julgado. Art. 85, § 4º, II, do CPC/2015.
Majoração dos honorários na instância superior. Impossibilidade.
DESTAQUE
Não cabe ao STJ majorar honorários advocatícios ainda a serem fixados em liquidação de
sentença, na forma do inciso II, do § 4º, do art. 85 do CPC/2015.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
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No caso analisado, as instâncias ordinárias condenaram a parte sucumbente ao pagamento de
honorários “em percentual incidente sobre o valor da condenação a ser fixado por ocasião da
liquidação de sentença, na forma preconizada no inciso II, do § 4º, do art. 85 do CPC/2015”.
O dispositivo estabelece que, proferida sentença ilíquida nas causas em que a Fazenda Pública for
parte, a definição do percentual dos honorários só ocorrerá após a liquidação do julgado. O objetivo
da norma é evitar desproporção na fixação da verba honorária, que tem maior chance de acontecer
enquanto não conhecida a base de cálculo.
Sendo esse o caso analisado, não há como o STJ majorar honorários ainda não definidos, não
apenas por impossibilidade lógica, mas também o art. 85, § 4º, II, do CPC/2015, deve ser observado,
inclusive, pela instância superior.
O fato de a parte sucumbente ter insistido em sua pretensão, sem êxito no recurso interposto,
deve ser considerado pelo Juízo da liquidação no momento em que for definir o percentual da verba
honorária.
PROCESSO REsp 1.887.589/GO, Rel. Min. Og Fernandes, Segunda Turma, por
unanimidade, julgado em 06.04.2021
RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL
TEMA Cumprimento de sentença contra a Fazenda Pública. Alegação de excesso.
Ausência de planilha de cálculos. Art. 535, § 2º, do CPC. Concessão de
prazo. Possibilidade.
DESTAQUE
A alegação da Fazenda Pública de excesso de execução sem a apresentação da memória de
cálculos com a indicação do valor devido não acarreta, necessariamente, o não conhecimento da
arguição.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
O art. 535, § 2º, do CPC prevê consequência específica para a não indicação do valor que a
Fazenda Pública entende correto em sua impugnação ao cumprimento de sentença, qual seja, o não
conhecimento da arguição de excesso de execução.
Todavia, esta Corte possui jurisprudência no sentido de que “eventuais erros materiais
nos cálculos apresentados para o cumprimento de sentença não estão sujeitos à preclusão, sendo
possível ao magistrado, inclusive, encaminhar os autos à contadoria, de ofício, para apurar se os
cálculos estão em conformidade com o título em execução” (AgInt no AREsp 1.364.410/RS,
Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 4/5/2020, DJe 8/5/2020).
Assim, em regra, a ausência de indicação do valor que a Fazenda Pública entende como devido na
impugnação enseja o não conhecimento da arguição de excesso, por existência de previsão legal
específica nesse sentido (art. 535, §2º, do CPC).
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No entanto, tal previsão legal não afasta o poder-dever de o magistrado averiguar a exatidão dos
cálculos à luz do título judicial que lastreia o cumprimento de sentença, quando verificar a
possibilidade de existência de excesso de execução.
Tal entendimento encontra respaldo inclusive no próprio Código de Ritos, em seu art. 526, §§ 1º e
2º, cuja aplicação é cabível nos cumprimentos de sentença contra a Fazenda Pública, com as devidas
adaptações.
Nesse sentido, se é cabível a remessa dos autos à contadoria do juízo para a verificação dos
cálculos, é razoável a concessão de prazo para apresentação da respectiva planilha pela
Fazenda Pública, documento que pode inclusive vir a facilitar o trabalho daquele órgão
auxiliar em eventual necessidade de manifestação.
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TERCEIRA TURMA
PROCESSO REsp 1.892.782/PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por
unanimidade, julgado em 06/04/2021
RAMO DO DIREITO DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
TEMA Adoção. Sentença concessiva. Ausência de consentimento do adotado.
Rescisão. Excepcionalidade.
DESTAQUE
É possível, mesmo ante a regra da irrevogabilidade da adoção, a rescisão de sentença concessiva
de adoção ao fundamento de que o adotado, à época da adoção, não a desejava verdadeiramente e
de que, após atingir a maioridade, manifestou-se nesse sentido.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
A interpretação sistemática e teleológica do disposto no § 1º do art. 39 do ECA conduz à
conclusão de que a irrevogabilidade da adoção não é regra absoluta, podendo ser afastada sempre
que, no caso concreto, verificar-se que a manutenção da medida não apresenta reais vantagens para
o adotado, tampouco é apta a satisfazer os princípios da proteção integral e do melhor interesse da
criança e do adolescente.
Por outro lado, a sentença concessiva de adoção, ainda quando proferida em procedimento de
jurisdição voluntária, pode ser encoberta pelo manto protetor da coisa julgada material e, como
consectário lógico, figurar como objeto de ação rescisória.
Nesse contexto, se extrai do Relatório Psicológico que não houve, de fato, consentimento do
adotando com relação à adoção, conforme exige o § 2º do art. 45 do ECA. Não se trata de vedada
alegação de fato novo, mas sim de prova pericial nova que se refere à existência ou inexistência de
ato jurídico anterior à sentença, qual seja, o consentimento do adolescente.
No caso, subsome-se ao previsto no inciso VI do art. 966 do CPC/2015, porquanto admitiu o
magistrado singular, ao deferir a adoção, que houve o consentimento do adotando, conforme exigido
pelo § 2º do art. 45 do ECA, o que, posteriormente, revelou-se falso.
Passando ao largo de qualquer objetivo de estimular a revogabilidade das adoções, situações
como a vivenciada pelos adotantes e pelo adotado demonstram que nem sempre as presunções
estabelecidas dogmaticamente, suportam o crivo da realidade, razão pela qual, em caráter
excepcional, é dado ao julgador demover entraves legais à plena aplicação do direito e à tutela da
dignidade da pessoa humana.
PROCESSO REsp 1.900.136/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por
unanimidade, julgado em 06/04/2021
RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL
TEMA Impugnação ao cumprimento de sentença arbitral. Vícios elencados no art.
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32 da Lei n. 9.307/1996. Prazo decadencial de 90 (noventa) dias.
Aplicabilidade.
DESTAQUE
A impugnação ao cumprimento de sentença arbitral, devido à ocorrência dos vícios elencados no
art. 32 da Lei n. 9.307/1996, possui prazo decadencial de 90 (noventa) dias.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
A declaração de nulidade da sentença arbitral pode ser pleiteada, judicialmente, por duas vias: (i)
ação declaratória de nulidade de sentença arbitral (art. 33, § 1º, da Lei n. 9.307/1996) ou (ii)
impugnação ao cumprimento de sentença arbitral (art. 33, § 3º, da Lei n. 9.307/1996).
Se a declaração de invalidade for requerida por meio de ação própria, há também a imposição de
prazo decadencial. Esse prazo, nos termos do art. 33, § 1º, da Lei de Arbitragem, é de 90 (noventa)
dias. Sua aplicação, reitera-se, é restrita ao direito de obter a declaração de nulidade devido à
ocorrência de qualquer dos vícios taxativamente elencados no art. 32 da referida norma.
Assim, embora a nulidade possa ser suscitada em sede de impugnação ao cumprimento de
sentença arbitral, se a execução for ajuizada após o decurso do prazo decadencial da ação de
nulidade, a defesa da parte executada fica limitada às matérias especificadas pelo art. 525, § 1º, do
CPC/2015, sendo vedada a invocação de nulidade da sentença com base nas matérias definidas no
art. 32 da Lei n. 9.307/1996.
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QUARTA TURMA
PROCESSO REsp 1.539.056/MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, por
unanimidade, julgado em 06/04/2021.
RAMO DO DIREITO DIREITO DO CONSUMIDOR, DIREITO URBANÍSTICO
TEMA Ação civil pública. Venda de terrenos em loteamento irregular. Publicidade
enganosa. Interesse transindividual. Proteção do meio ambiente e da
ordem urbanística. Dano moral coletivo. Cabimento.
DESTAQUE
A alienação de terrenos a consumidores de baixa renda em loteamento irregular, tendo sido
veiculada publicidade enganosa sobre a existência de autorização do órgão público e de registro no
cartório de imóveis, configura lesão ao direito da coletividade e dá ensejo à indenização por dano
moral coletivo.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
O dano moral transindividual – conhecido como “dano moral coletivo” -, caracteriza-se pela
prática de conduta antijurídica que, de forma absolutamente injusta e intolerável, viola valores
éticos essenciais da sociedade, implicando um dever de reparação, que tem por escopo prevenir
novas condutas antissociais (função dissuasória), punir o comportamento ilícito (função
sancionatório-pedagógica) e reverter, em favor da comunidade, o eventual proveito patrimonial
obtido pelo ofensor (função compensatória indireta).
Tal categoria de dano moral é aferível, portanto, in re ipsa, ou seja, reclama a mera apuração de
uma conduta ilícita que, de maneira injusta e intolerável, viole valor ético-jurídico fundamental da
sociedade, revelando-se despicienda a demonstração de prejuízos concretos ou de efetivo abalo
moral.
No presente caso, a pretensão reparatória de dano moral coletivo – deduzida pelo Ministério
Público estadual na ação civil pública – tem por causas de pedir a alienação de terrenos em
loteamento irregular (ante a violação de normas de uso e ocupação do solo) e a veiculação de
publicidade enganosa a consumidores de baixa renda, que teriam sido submetidos a condições
precárias de moradia.
As instâncias ordinárias reconheceram a ilicitude da conduta dos réus que, utilizando-se de ardil
e omitindo informações relevantes para os consumidores/adquirentes, anunciaram a venda de
terrenos em loteamento irregular – com precárias condições urbanísticas – como se o
empreendimento tivesse sido aprovado pela Municipalidade e devidamente registrado no cartório
imobiliário competente; nada obstante, o pedido de indenização por dano moral coletivo foi julgado
improcedente.
No afã de resguardar os direitos básicos de informação adequada e de livre escolha dos
consumidores – protegendo-os, de forma efetiva, contra métodos desleais e práticas comerciais
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abusivas -, é que o Código de Defesa do Consumidor procedeu à criminalização das condutas
relacionadas à fraude em oferta e à publicidade abusiva ou enganosa.
Os objetos jurídicos tutelados pelas citadas normas penais compreendem, os direitos de livre
escolha e de informação adequada dos consumidores, cuja higidez da manifestação de vontade deve
ser assegurada, de modo a atender o valor ético-jurídico encartado no princípio constitucional da
dignidade humana, conformador do próprio conceito de Estado Democrático de Direito, que não se
coaduna com a permanência de profundas desigualdades, tais como a existente entre o fornecedor e
a parte vulnerável no mercado de consumo.
Ambos os crimes são de mera conduta, não reclamando a consumação do resultado lesivo –
efetivo comprometimento da manifestação da vontade do consumidor -, donde se extrai, a evidente
intolerabilidade da lesão ao direito transindividual da coletividade ludibriada, não informada
adequadamente ou exposta à oferta fraudulenta ou à publicidade enganosa ou abusiva.
Sob a mesma ótica, destaca-se precedente da Segunda Turma – da relatoria do eminente Ministro
Herman Benjamin -, firmado por ocasião do julgamento do Recurso Especial 1.828.620/RO, segundo
o qual “enganar o consumidor ou dele abusar vai muito além de dissabor irrelevante ou
aborrecimento desprezível, de natural conduta cotidiana, aceitável na vida em sociedade”, por
configurar prática flagrantemente antiética e ilegal que não poupa “nem pobres nem vulneráveis,
nem analfabetos nem enfermos”.
Outrossim, não é apenas à luz do CDC que se observa a configuração de dano moral
transindividual inaceitável.
Com efeito, a Lei n. 6.766/1979 – que dispõe sobre o parcelamento do solo para fins urbanos – em
seus artigos 50 e 51 (notadamente os contidos nos incisos I e II do caput do artigo 50)
consubstanciam crimes de mera conduta, tendo por objeto jurídico o respeito ao ordenamento
urbanístico e, por conseguinte, a defesa do meio ambiente ecologicamente equilibrado, valor ético
social – intergeracional e fundamental – consagrado pela Constituição de 1988 (artigo 225), que é
vulnerado, de forma grave, pela prática do loteamento irregular (ou clandestino).
Sendo clara a ofensa ao mínimo existencial da coletividade prejudicada pelo loteamento irregular
– assim como a publicidade enganosa efetuada em detrimento dos consumidores -, tal conduta
configura lesão intolerável a valor essencial da sociedade, o que torna a condenação ao pagamento
de indenização por danos morais coletivos plenamente viável.
PROCESSO AgInt no AREsp 1.635.968/PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Quarta
Turma, por unanimidade, julgado em 06/04/2021 
RAMO DO DIREITO DIREITO EMPRESARIAL
TEMA Duplicata. Endosso-caução. Quitação ao endossante. Não cabimento.
Resgate da cártula. Indispensabilidade.
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DESTAQUE
O terceiro de boa-fé, endossatário, em operação de endosso-caução, não perde seu crédito de
natureza cambial em vista da quitação feita ao endossante (credor originário), sem resgate da
cártula.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
Registra-se, inicialmente, que “as normas das leis especiais que regem os títulos de crédito
nominados, v.g., letra de câmbio, nota promissória, cheque, duplicata, cédulas e notas de crédito,
continuam vigentes e se aplicam quando dispuserem diversamente do Código Civil de 2002, por
força do art. 903 do Diploma civilista. Com efeito, com o advento do Diploma civilista, passou a
existir uma dualidade de regramento legal: os títulos de crédito típicos ou nominados continuam a
ser disciplinados pelas leis especiais de regência, enquanto os títulos atípicos ou inominados
subordinam-se às normas do novo Código, desde que se enquadrem na definição de título de crédito
constante no art. 887 do Código Civil” (REsp 1.633.399/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão,
Quarta Turma, julgado em 10/11/2016, DJe 01/12/2016).
Conquanto a duplicata seja causal apenas na sua origem/emissão, sua circulação – configurada
após o aceite do sacado, ou, na sua falta, pela comprovação do negócio mercantil subjacente e o
protesto – rege-se pelo princípio da abstração, desprendendo-se de sua causa original, sendo por
isso inoponíveis exceções pessoais a terceiros de boa-fé, como a ausência da entrega das
mercadorias compradas.
Ademais, o endosso-caução tem por finalidade garantir, mediante o penhor do título, obrigação
assumida pelo endossante perante o endossatário, que desse modo assume a condição de credor
pignoratício do endossante. Verificado o cumprimento da obrigação por parte do endossante, o
título deve ser-lhe restituído pelo endossatário, por isso não havendo, ordinariamente,
propriamente a transferência do crédito representado pelo título.
No entanto, é preciso ressaltar que o endossatário pignoratício é detentor dos direitos
emergentes do título, não podendo os coobrigados invocar contra ele exceções fundadas sobre
relações pessoais com o endossante, pois esse, “apesar de ser ainda o proprietário do título,
transmitiu os direitos emergentes do mesmo ao endossatário, como acontece no endosso comum”.
Ademais, não se pode ignorar que a “quitação regular de débito estampado em título de crédito é
a que ocorre com o resgate da cártula – tem o devedor, pois, o poder-dever de exigir daquele que se
apresenta como credor cambial a entrega do título de crédito (o art. 324 do Código Civil, inclusive,
dispõe que a entrega do título ao devedor” (REsp 1.236.701/MG, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão,
Quarta Turma, julgado em 05/11/2015, DJe 23/11/2015).
Por outro lado, o art. 905 do CC, caput, estabelece que o possuidor de título ao portador tem
direito à prestação nele indicada, mediante a sua simples apresentação ao devedor, e o parágrafo
16
único estipula que a prestação é devida ainda que o título tenha entrado em circulação contra a
vontade do emitente.
Portanto, é temerário para o direito cambial, para a circulação dos títulos de crédito, que se
admita a quitação de crédito cambial, sem a exigência do resgate da cártula, notadamente se ensejar
prejuízo a terceiro de boa-fé.
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QUINTA TURMA
PROCESSO REsp 1.882.330/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por
unanimidade, julgado em 06/04/2021
RAMO DO DIREITO DIREITO PENAL, DIREITO PROCESSUAL PENAL
TEMA Citação por carta Rogatória. Termo final da suspensão da prescrição. Data
da efetiva da citação. Retorno da contagem.
DESTAQUE
O termo final da suspensão do prazo prescricional pela expedição de carta rogatória para citação
do acusado no exterior é a data da efetivação da comunicação processual no estrangeiro, ainda que
haja demora para a juntada da carta rogatória cumprida aos autos.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
Cinge-se a controvérsia sobre quais os corretos marcos de início e fim da suspensão do prazo de
prescrição no caso de citação por carta rogatória, considerando o disposto no art. 368 do CPP.
De um lado, sustenta-se que a data de cumprimento da carta rogatória é da sua juntada aos autos,
o que afastaria a prescrição, enquanto do outro lado, entende-se que tal data equivale à efetiva
citação no estrangeiro, o que conduziria à extinção da punibilidade. A diferença decorre do
considerável lapso temporal entre a realização da comunicação processual no estrangeiro e a
juntada aos autos.
Ambas as interpretações são razoáveis, mas isso acontece justamente em razão da imprecisão do
texto legal, da sua omissão legislativa em estabelecer os marcos iniciais e finais exatos para a
suspensão da prescrição. Esta opção legislativa por vagueza termina aumentando a margem de
discricionariedade do julgador, especialmente em caso como este, sobre o qual, ao que tudo indica,
além de não haver precedente vinculante, não há jurisprudência dominante acerca do tema nos
Tribunais Superiores.
Assim, diante da divergência doutrinária e jurisprudencial, deve prevalecer o entendimento de
que a fluência do prazo prescricional continua não na data em que os autos da carta rogatória der
entrada no cartório, mas sim naquela em que se der o efetivo cumprimento no juízo rogado.
Vale ressaltar que a questão é hermenêutica e não de integração da norma jurídica, sendo que a
Súmula 710/STF estabelece que no processo penal os prazos contam-se da data da intimação, e não
da juntada aos autos do mandado ou da carta precatória ou de ordem, valendo o mesmo raciocínio
para a carta rogatória. Tal entendimento tem por base a regra específica do art. 798, § 5º, “a”, do
CPP, que diferencia a sistemática adotada para os processos criminais em relação aos processos
cíveis.
PROCESSO AgRg RHC 136.708/MS, Rel. Min. Felix Fisher, Quinta Turma, por
unanimidade, julgado em 11/03/2021
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RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL
TEMA Conversão de ofício da prisão em flagrante em prisão preventiva. Posterior
apresentação da representação da autoridade policial. Possibilidade.
DESTAQUE
O posterior requerimento da autoridade policial pela segregação cautelar ou manifestação do
Ministério Público favorável à prisão preventiva suprem o vício da inobservância da formalidade de
prévio requerimento.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
A Constituição Federal de 1988 estabeleceu a dignidade da pessoa humana como ponto nuclear
das suas diretrizes principiológicas e programáticas, reverenciando-a, no âmbito penal, na
responsabilização por conduta penalmente imputável como decorrência da estrita observância das
garantias constitucionais que as concretizam, tornando justo e legítimo o decreto condenatório.
Nesta esteira, sem esgotá-los, destacam-se os princípios que dignificam a responsabilização penal
definitiva: reserva legal (art. 5º, II), juízo natural (art. 5º, XXXVII, legalidade (art. 5º, XXXIX), devido
processo legal (art. 5º, LIV), contraditório e ampla defesa (art. 5º, LV), legalidade das provas (art. 5º,
LVI) e segurança jurídica (art. 5º, XXXVI).
Nesse aspecto, o desrespeito das normas que promovem o devido processo legal implica, em
regra, nulidade do ato nas hipóteses de descumprimento da sua finalidade e da ocorrência de efetivo
e comprovado prejuízo, segundo orientação dos princípios pas de nullité sans grief e da
instrumentalidade.
No ponto, o princípio da instrumentalidade reforça a manutenção de determinados atos não só
pela economia processual, mas pela agilidade que se deve empreender em busca do ato final do
processo, a sentença, a teor dos arts. 565 a 572 do CPP.
Ressalta-se, assim, que o posterior requerimento da autoridade policial pela segregação cautelar
ou manifestação do Ministério Público favorável à medida cautelar extrema suprem o vício da
inobservância da formalidade de prévio requerimento, corroborando a higidez do feito e ausência
de nulidade processual.
Com efeito, o referido vício pode ser superado pelo posterior requerimento da autoridade policial
pela prisão preventiva, de modo que não se configura nenhuma nulidade passível de correção,
observado, pois, o devido processo legal.
Ademais, a eventual concessão da ordem, no sentido de revogar a prisão preventiva seria inócua
ante a possibilidade de imediata decretação de nova prisão preventiva, quando há mais de um pleito
no sentido da decretação e manutenção da segregação cautelar.

 

 

Fonte STJ